quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Dieta Antiinflamatória?


Iniciemos a discussão com dados de perigo iminente. No Brasil, as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) – como o câncer, diabetes e doenças cardiovasculares) – correspondem a 72% dos óbitos anuais. Tristemente, a Organização Mundial de Saúde nos informa que 80% das mortes prematuras ocasionadas pelas DCNT’s poderiam ser evitadas com ajustes nos hábitos de vida, principalmente relacionados a nutrição e atividade física.
Existem inúmeros fatores de risco e explicações para essas estatísticas, porém focarei num deles: a inflamação. Mas o que isso tem a ver com o assunto?
Nosso corpo, fruto de uma criação magnânima, é minuciosamente perfeito. Todo o seu funcionamento ocorre de maneira afinada. Para tanto, ele foi programado para controlar a liberação de citocinas inflamatórias. Por exemplo: quando mordiscamos nossa cutícula e tiramos uma pele finíssima, dói e logo fica vermelho, edemaciado (em pequeno grau). Ali está ocorrendo um processo inflamatório. Em maiores proporções, quando cortamos nosso dedo ou nos machucamos com uma gilete, o sangue jorra e depois de um tempo já inicia o processo de cicatrização: o sangue estanca, mas a dor e a vermelhidão persistem.
Não fosse esse processo, toda ferida seria altamente colonizada por microrganismos patogênicos (causadores de doenças). Quando ocorre algo de diferente, nosso organismo já aciona as células de defesa para combater o invasor ou estimular a cicatrização. Infelizmente todo esse processo pode ser exacerbado por estímulos exógenos, como alimentação e hábitos de vida não muito saudáveis.
Falando da alimentação, precisamos diariamente de dois tipos de gorduras essenciais: W6 e W3 (ômegas). A primeira é basicamente encontrada em gorduras vegetais, como margarinas, óleos (soja, milho), oleaginosas. A segunda é basicamente encontrada nos peixes de águas profundas que se alimentam de fitoplancton.  O ômega 6 ativa a cascata de reações inflamatórias, enquanto o ômega 3 realiza a ação contrária. Necessitamos dos dois para que haja um equilíbrio nas reações. Essa proporção de consumo deveria ser de 3:1 (W6:W3), pois precisamos mais de inflamação do que a falta dela; lembrando que esse processo é o que nos protege.
Como gosto de falar sempre, a diferença entre o veneno e o antídoto é apenas a dose. O que poderia estar aumentando nossas defesas acaba sendo a principal causa do aparecimento de doenças cardiovasculares. Por quê?! Nossa alimentação ocidental apresenta essa proporção absurdamente desbalanceada, com 14:1, 10:1 (W6:W3). Falemos também do excesso de gordura saturada, proveniente dos produtos animais (também favorecem o processo nocivo). O que isso pode causar? Exacerbação dos processos inflamatórios no nosso corpo.
A obesidade pode ser considerada como uma doença inflamatória (o tecido adiposo produz bastante citocinas inflamatórias), o câncer, o diabetes e a arteriosclerose idem. Já a dieta oriental é bem mais equilibrada, com cerca de 4:1 (possivelmente pelo alto consumo de peixes e baixo de carnes vermelhas, entre inúmeros outros fatores).
Quando consumimos gorduras e açúcar em excesso, deixamos essas moléculas livremente em nossa corrente sanguínea. As moléculas de gordura são pesadas e precisam de ajuda para nadar livremente (o HDL atua nesse auxílio), motivo pelo qual vão se depositando em nossos vasos. Opa! Apareceu um corpo estranho na parede de um vaso! Ative o sistema de defesa, rápido! Inicia-se, então, um processo inflamatório. Ao invés de praticarmos alguma atividade física e consumirmos alimentos mais saudáveis para combater esse estresse interno, preferimos passar na padaria e comprar um bolo prestígio. Vêm as moléculas de glicose, grandes, ferindo ainda mais essa mini inflamação. Não posso esquecer o cigarro de cada dia, liberando a nicotina, que passa ferindo demasiadamente a parede dos vasos. Vai vendo...
Lógico que estou falando muito sucintamente sobre esse processo, pois é algo muito mais complexo, que envolve diversos fatores (genética, estado psicológico, etc). Mas precisamos estar atentos.
Ok. Já sabemos... E agora?! Uma boa opção de dieta antiinflamatória é a dieta do mediterrâneo. Muito azeite, peixes, verduras, frutas, fibras, oleaginosas (castanhas e sementes), vinho tinto (para pessoas que não possuam contra indicações) e pouca carne vermelha, frango abusado de hormônios, fast foods e doces.
Uma boa opção também é a suplementação do W3 (óleo de peixe) orientada por profissional capacitado, pois há algumas contra indicações.
Vamos cuidar da nossa saúde, pessoal! Esperar a Organização Mundial de Saúde anunciar estado de calamidade pela prevalência de DNCT’s? Não sei quanto tempo viverei, mas almejo viver cada dia com bastante qualidade de vida! Só por hoje... Plantando e colhendo!