Receita criada por mim no Programa Fala Espírito Santo. Espero que gostem!
Esse é um espaço para postar algumas informações, a fim de gerar discussões construtivas sobre temas relevantes na área da Saúde, Nutrição e o conceito de Bem Estar como um todo.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
terça-feira, 29 de maio de 2012
Alimentação Noturna
Existem dúvidas comuns a uma série de pessoas - incluindo
profissionais da saúde - sobre a melhor alimentação no período noturno. Em
muitas abordagens, a pergunta que ecoa com frequência é: Comer carboidratos a
noite engorda? Já li comentários de colegas afirmando que sim e outros que não.
Vamos partir do princípio da lógica. Nosso organismo
funciona em total sincronismo e quando isso não ocorre, logo percebemos as
consequências. Hormônios funcionam concomitantemente e organizadamente: no
início da noite inicia-se a produção da melatonina, que tem seu pico no meio da
madrugada e sua queda no fim da na noite, dando lugar ao cortisol (ao
alvorecer).
A melatonina sinaliza nossos órgãos que a noite chegou; a
hora adequada para ir diminuindo o funcionamento e acalmando os ânimos. Ora, se
nosso metabolismo está reduzido, se nosso trato digestivo não se encontra 100%
funcionante, o que acontecerá após comer aquele prato cheio de comida com um
copo duplo de refrigerante? O que acontece quando estamos com muito sono e
alguém nos delega uma tarefa árdua? Certamente fazemos de mal grado, um tanto
quanto “nas coxas”. Com o nosso corpo
ocorre o mesmo.
O metabolismo hepático (produção da bile, emulsificante de
gorduras) e pancreático não está muito prestativo. Existe uma resistência
periférica à insulina. Quando comemos em demasia, principalmente
carboidratos (pelo metabolismo da glicose) nosso pâncreas produz mais insulina.
Entretanto, ela está parcialmente ineficaz, gerando um quadro passageiro de
hiperinsulinemiae como consequência acúmulo de gordura corporal (preferencialmente
abdominal). O metabolismo de lipídeos também está comprometido. São
macronutrientes de difícil digestão, exigem trabalho de muitos órgãos.
As refeições noturnas reduzem o pH estomacal quando comparadas
às refeições diurnas. A motilidade do trato gastrointestinal está menor, podendo
aumentar a ocorrência de sintomas como azia, refluxo e não contribuir para o
tratamento de gastrites.
Durante o sono precisamos de pouca energia disponível e o
organismo retira de reservas destinadas a isto. O excesso de calorias ingeridas
a noite é armazenado sob a forma de gordura.
E aquele velho dito popular: “Café da manhã como um rei,
almoço como príncipe e jantar como plebeu”? Aplaudido! Durante a manhã temos um
aumento do metabolismo basal. A energia consumida poderá ser gasta durante todo
o dia. Pular o café da manhã não é uma boa opção. Existem alternativas para
contribuir com o corpo de maneira satisfatória.
Comer muito provoca pesadelo? Quando vamos deitar com o
estômago muito cheio, nosso corpo não consegue se desligar de maneira
eficiente, pois precisa digerir os alimentos. Imagina se dormíssemos com o bolo
alimentar estagnado no estômago que só fosse processado ao acordar? O sonho
ocorre em fases mais profundas do sono. Portanto, comer muito não provoca
pesadelos, porém atrapalha a qualidade do descanso.
Sintetizando, podemos comer de tudo a todo instante. Basta
termos um pouco de bom senso, lembrarmos dos conhecimentos adquiridos e manter
o equilíbrio sempre. Carboidratos à noite estão liberados, preferencialmente não muito
tarde, sem esquecer de fazer as refeições num tempo razoável antes de dormir (preferindo SEMPRE os integrais).
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