terça-feira, 29 de maio de 2012

Alimentação Noturna


     Existem dúvidas comuns a uma série de pessoas - incluindo profissionais da saúde - sobre a melhor alimentação no período noturno. Em muitas abordagens, a pergunta que ecoa com frequência é: Comer carboidratos a noite engorda? Já li comentários de colegas afirmando que sim e outros que não. 

     Vamos partir do princípio da lógica. Nosso organismo funciona em total sincronismo e quando isso não ocorre, logo percebemos as consequências. Hormônios funcionam concomitantemente e organizadamente: no início da noite inicia-se a produção da melatonina, que tem seu pico no meio da madrugada e sua queda no fim da na noite, dando lugar ao cortisol (ao alvorecer).

     A melatonina sinaliza nossos órgãos que a noite chegou; a hora adequada para ir diminuindo o funcionamento e acalmando os ânimos. Ora, se nosso metabolismo está reduzido, se nosso trato digestivo não se encontra 100% funcionante, o que acontecerá após comer aquele prato cheio de comida com um copo duplo de refrigerante? O que acontece quando estamos com muito sono e alguém nos delega uma tarefa árdua? Certamente fazemos de mal grado, um tanto quanto “nas coxas”.  Com o nosso corpo ocorre o mesmo.

     O metabolismo hepático (produção da bile, emulsificante de gorduras) e pancreático não está muito prestativo. Existe uma resistência periférica à insulina. Quando comemos em demasia, principalmente carboidratos (pelo metabolismo da glicose) nosso pâncreas produz mais insulina. Entretanto, ela está parcialmente ineficaz, gerando um quadro passageiro de hiperinsulinemiae como consequência acúmulo de gordura corporal (preferencialmente abdominal). O metabolismo de lipídeos também está comprometido. São macronutrientes de difícil digestão, exigem trabalho de muitos órgãos.

     As refeições noturnas reduzem o pH estomacal quando comparadas às refeições diurnas. A motilidade do trato gastrointestinal está menor, podendo aumentar a ocorrência de sintomas como azia, refluxo e não contribuir para o tratamento de gastrites.

     Durante o sono precisamos de pouca energia disponível e o organismo retira de reservas destinadas a isto. O excesso de calorias ingeridas a noite é armazenado sob a forma de gordura. 

     E aquele velho dito popular: “Café da manhã como um rei, almoço como príncipe e jantar como plebeu”? Aplaudido! Durante a manhã temos um aumento do metabolismo basal. A energia consumida poderá ser gasta durante todo o dia. Pular o café da manhã não é uma boa opção. Existem alternativas para contribuir com o corpo de maneira satisfatória.
     
     Comer muito provoca pesadelo? Quando vamos deitar com o estômago muito cheio, nosso corpo não consegue se desligar de maneira eficiente, pois precisa digerir os alimentos. Imagina se dormíssemos com o bolo alimentar estagnado no estômago que só fosse processado ao acordar? O sonho ocorre em fases mais profundas do sono. Portanto, comer muito não provoca pesadelos, porém atrapalha a qualidade do descanso.

     Sintetizando, podemos comer de tudo a todo instante. Basta termos um pouco de bom senso, lembrarmos dos conhecimentos adquiridos e manter o equilíbrio sempre. Carboidratos à noite estão liberados, preferencialmente não muito tarde, sem esquecer de fazer as refeições num tempo razoável antes de dormir (preferindo SEMPRE os integrais).

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