quarta-feira, 13 de julho de 2011

Relógio Biológico


Acordar, levantar, tomar o antihipertensivo pela manhã, quase cair da cadeira depois daquele almoço gostoso... Afinal, o que esses fatos têm em comum? São fisiologicamente “organizados” pelo nosso Relógio Biológico.
 
Possuímos uma parte cerebral chamada de Núcleo Supraquiasmático;  uma estrutura aparentemente sem importância  que comanda todos os mecanismos relacionados ao nosso relógio interno.

Consubstanciarei aqui pontos cruciais para que entendam a importância de respeitar essa organização do nosso corpo. Por exemplo, qual o estímulo para acordarmos?! Por volta de 05h nosso corpo inicia a produção do cortisol (hormônio que aumenta os níveis de adrenalina), nos preparando para acordar e realizar as tarefas diárias. Esse é UM dos motivos sugeridos para que a maior parte dos infartos ocorra no período da manhã. Concomitantemente ocorre um aumento da nossa temperatura interna, também nos preparando para a “luta”.
Por volta das 09h inicia-se a produção de endorfinas (hormônios que promovem sensação de bem estar), como a serotonina. Conhecem alguém que acorda extremamente mal humorado e vai melhorando depois de um tempo?!
Por volta das 10h temos um aumento na capacidade cerebral... Horário bom para estudo, reuniões importantes e atividades que requerem concentração.
Chega a hora do almoço... Ô beleza! De meio dia às 14h temos uma queda na temperatura interna e uma redução do metabolismo basal. Alteração esta adaptada ao longo de milhares de anos. Comer alimentos calóricos promove o “mascaramento” desse quadro: exacerbam-no. Horário ideal para um sono secundário (de 30 minutos), mas infelizmente nem todos podem realizá-lo.
Por volta das 15h, temos uma queda na capacidade intelectual e aumento da capacidade física. Ainda não se sabe exatamente por quais motivos isto ocorre.
Das 16 às 19h (aproximadamente) nossa capacidade respiratória está mais alta, fazendo com que fiquemos mais susceptíveis aos efeitos nocivos da poluição. Notícia não muito boa, pois muitos de nós estamos parados no trânsito inalando uma nuvem de monóxido de carbono.
Às 18h também ocorre uma queda na produção de enzimas digestivas e hormônios relacionados à digestão e absorção e novamente um aumento na capacidade cerebral. Papo de Nutricionista evitar carboidratos a noite? Abordaremos em um próximo tópico.
Por volta das 20h inicia-se a produção da melatonina, conhecida como o “hormônio do sono” (a ausência da luz solar é um forte estímulo para sua produção). Ela não nos faz dormir, mas induz fortemente à sonolência. Essa produção vai aumentando, tendo um pico às 2h. Associado a isto, ainda temos a secreção máxima do hormônio GH (hormônio do crescimento), fundamental no ganho de massa muscular e crescimento.
E assim nossos ciclos se repetem todos os dias. Existe um detalhe importantíssimo a ser levado em consideração: o cronotipo. Existem três tipos de indivíduos: os matutinos, vespertinos e intermediários.
O primeiro prefere acordar e dormir cedo, já o segundo dorme e acorda tarde e o intermediário (como já sugere a etimologia da palavra) não tem nenhuma preferência muito robusta. Por esse motivo, os ritmos biológicos de cada indivíduo são peculiares, podem ser arrastados ou adiantados por diversos fatores, inclusive o cronotipo.
Esse é um assunto complexo, que envolve inúmeras alterações fisiológicas, sociais e ambientais. Espero ter contribuído com o entendimento! Até o próximo!

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